Depois de dois anos usando Claude e ChatGPT como todo mundo, o engenheiro Matthew Saltz, da Modal, teve uma experiência inesperada: rodar um modelo aberto em seu próprio endpoint. E, segundo ele, foi surpreendentemente bom.
‘É libertador, de alguma forma’, escreveu Saltz em seu blog. ‘Eu sou o dono do endpoint, e meus dados vão do meu laptop para lá e voltam. Parece que é meu. É muito legal.’
A motivação veio de um desejo simples: começar um projetinho pessoal ao chegar em casa. Saltz não tem o melhor plano do Claude ou ChatGPT para sua conta pessoal. Na Modal, onde trabalha, a empresa acabara de lançar o Kimi K3 em endpoints gerenciados. Sabendo que o modelo chinês é considerado sólido, ele decidiu testá-lo em vez de fazer upgrade no plano do Claude.
‘Não contribuí diretamente para esse recurso, então ainda não tinha brincado com ele’, explicou.
Em cerca de cinco minutos, Saltz configurou o opencode para apontar para seu próprio endpoint na Modal e já estava rodando. Ao iniciar o opencode, sentiu ‘um vazio limpo e agradável’. A melhor analogia que encontrou foi ‘abrir o vim depois de passar um tempão num editor grande e cheio de firulas’.
‘É como se os tentáculos que me ligavam a outros provedores tivessem sido cortados, e eu pudesse respirar livremente’, descreveu, admitindo que está sendo dramático, mas não exagerando tanto.
A sensação foi inesperada e o motivou a escrever sobre o assunto. ‘É estranho, lol, e inesperado para mim, e por isso quis escrever sobre isso.’
O relato de Saltz ecoa um sentimento crescente entre desenvolvedores: a autonomia proporcionada por modelos abertos e infraestrutura própria vai além da economia — toca numa questão de soberania digital. Poder rodar um modelo competitivo como o Kimi K3 sem depender de APIs de terceiros muda a relação com a tecnologia.
Para o AIatolah, a experiência de Saltz reforça a importância do ecossistema open source e de modelos como os chineses (Kimi, DeepSeek, Qwen) que oferecem qualidade sem amarras corporativas. A liberdade de escolher onde e como rodar um modelo é um passo concreto rumo a uma IA mais democrática.
O Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot AI, é um dos modelos chineses que vêm ganhando destaque por sua eficiência e abertura. Poder executá-lo em endpoints gerenciados pela Modal mostra como a infraestrutura de IA está se tornando mais acessível.
‘Usar um modelo aberto é surpreendentemente bom’, conclui Saltz. Para quem defende a IA como bem comum, a frase soa como um mantra.