Um novo estudo do National Bureau of Economic Research (NBER) analisa os efeitos de longo prazo da imigração H-1B na economia dos Estados Unidos. O working paper 35560, divulgado em julho de 2026, usa um desenho inovador entre indústrias e a expansão do teto de vistos H-1B entre 1999 e 2003 para identificar impactos causais.

Os pesquisadores Ran Abramitzky, Leah Platt Boustan, Ahmet Gulek e Jens Hainmueller descobriram que a exposição ao H-1B elevou a renda de nativos e de imigrantes pré-existentes. Os ganhos, porém, concentram-se em ocupações não-STEM, contrariando a intuição de que o efeito seria maior entre trabalhadores técnicos.

Os ganhos de renda se propagam ao longo das cadeias de suprimento: indústrias a jusante (que compram insumos) se beneficiam, mas as a montante (fornecedoras) não. Esse padrão sugere que o efeito é de choque de produtividade, e não de choque de oferta de trabalho.

Curiosamente, o estudo não encontra efeito direto sobre patentes. Isso indica que os ganhos de produtividade vêm de melhor execução de tarefas, e não de invenções patenteáveis.

O estudo é relevante para o debate sobre políticas de imigração qualificada, mostrando que o H-1B pode beneficiar a economia como um todo, e não apenas as empresas contratantes. Os autores usam dados de longo prazo e um desenho que permite comparar indústrias mais e menos expostas ao programa.

Para o AIatolah, a pesquisa reforça a importância de políticas de imigração abertas e baseadas em evidências, em contraste com restrições que prejudicam a inovação e o crescimento. O paper completo está disponível no site do NBER, com DOI 10.3386/w35560.